Obras do Pe. José Maurício Nunes Garcia
A primeira obra de Pe. José Maurício foi a antífona "Tota Pulchra es Maria", composta quando tinha 16 anos. Em 1790 compõe uma Sinfonia fúnebre, para orquestra e em 1791 um Te Deum, destinado a celebrar o regresso à Europa do vice-rei Luís de Vasconcelos. O Te Deum, que é um hino da liturgia católica, mas embora litúrgico não faz parte de um texto bíblico. Segundo a lenda que ele foi escrito por santo Ambrosio e Santo Agostinho. Esta peça foi dividida para quatro vozes soprano, contralto, tenor e baixo, também nesta peça foi usado instrumentos de cordas percussão, madeiras e metais, foi dividida em quatro andamentos distintos: I Te Dominum Confitemur, em Ré Maior, II Te ergo Quaesumus, em Sol menor, III Aeterno fac cum sanctis em Ré Maior, IV In Domine Speravi em Ré Maior. Ouve também uma segunda obra Te Deum composta em 1801 para quatro vozes soprano, contralto, tenor e baixo com três movimentos: I Te Deum Laudamus em Ré Maior, II Te Ergo Quaesumus na tonalidade de Si menor, III Aeterna Fac em Ré Maior as duas obras possuem uma característica que as iguala as duas tem passagem de solo e tutti.
Em 1798, foi nomeado por D. João VI Mestre de capela da Catedral da Sé do Rio de Janeiro, um posto alto na vida de um músico do século XVIII. Neste período as suas obras mais importantes foram compostas: a série de graduais (1798 - 1800), dois Miserere (1798) e Matinas de Natal (1799). O período mais produtivo de Nunes Garcia foi entre 1808 e 1811 onde compôs cerca de setenta obras, estas obras incluem missas Missa de S. Pedro de Alcântara (1808), Missa Pastoral (1808), Missa de S. Miguel Arcanjo (1809), e sua primeira música dramática: Ulissea, drama e O eroico vitória dá América (1809). Compôs uma série de motetos a capella das Matinas de Finados, em 1809, intensamente expressivos, com evidências sensíveis de avanços técnicos que possibilitaram a criação de obras de grande envergadura como a Missa de Santa Cecília, sua última obra em 1826 para a irmandade de mesmo nome. Em 1816 dirige na Igreja da Ordem Terceira do Carmo um Requiem, de sua autoria, em homenagem à rainha portuguesa D. Maria I, morta naquele ano no Rio.
Como mestre de música PE. José Maurício Nunes escreveu um método chamado Compêndio de música e método de pianoforte (1821). Dividido em cinco partes: introdução teórica e 8 solfejos; noções sobre teclas e escala; Regras para formatação de sons; 11 obras simples para pianoforte; 6 Fantasias.
Com a guerra a economia de Portugal foi arruinada e os músicos da corte de Dom Pedro, pararam de receber seus salários. A partir desse momento o compositor viveu na pobreza, até morrer em 1830.
A música de José Maurício foi influenciada pelos compositores: Haydn e Mozart, mas também por muitos compositores brasileiros do barroco Minas Gerais. Ele foi um dos primeiros compositores a incluir a música popular (as modinhas) em suas composições religiosas e seculares, e Villa Lobos faria mais do que um século depois. Seu declínio se acentuou com a partida de Dom João e com o vazio que isso produziu na cena musical carioca.¹
Padre José Maurício compôs cerca de 26 Missas, quatro missas de Requiem, Responsórios, Matinas, Vésperas, um Miserere, um Stabat Mater, um Te Deum, Hinos, modinhas e pequenas peças profanas.
Principais obras
- Música dramática: Le Due gemelle; Coro para o entremês (1808); O Triunfo da América (1809); Ulisséia (1809).
- Música orquestral: Sinfonia fúnebre (1790); Sinfonia tempestade.
- Modinhas: Beijo a mão que me condena; No momento da partida.
- Música instrumental: Doze divertimentos (1817).
- Música sacra: Tota pulchra es Maria (1783); Ecce sacerdos (1798); Bendito e louvado seja (1814 e 1815); Christus factus est (1798?); Miserere para Quarta-feira de trevas (1798); Libera me (1799); Missa de Réquiem (1799); Ofício de defuntos (1799); Judas mercator (1809); Matinas da ressurreição (1809?); Missa de Requiem (1809); Missa de Réquiem (1816); Missa de Santa Cecília (1826).
José Maurício compôs cerca de 400 obras. Restando pouco mais de duzentas, sendo a maioria sacra. Com os esforços da professora Cleofe Person de Mattos, fundadora da Associação de Canto Coral do Rio de Janeiro, foram redescobertos no meio do século XX, obras nos arquivos públicos de Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. No Acervo do Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro estão a maior parte das obras de Nunes Garcia, restauradas e digitalizadas num projeto com patrocínio da Petrobrás.
Bibliografia
1. NETO, Antonio Campos Monteiro. Academia Musical de Indias, 2004. Disponível em <http://amusindias.free.fr/es/compositores/nunesgarcia_es.php3>. Acesso em: 22 fev. 2012.
2. BINDER, Fernando Pereira; CASTAGNA, Paulo. Revista Eletrônica de Musicologia, 1996. Disponível em: <http://www.rem.ufpr.br/_REM/REMv1.2/vol1.2/teoria.html>. Acesso em 22 fev. 2012.
3. SÁ, Denison de. Madrigal Nova Harmonia. Disponível em: <http://www.madrigalnovaharmonia.com.br/josemauricio.html>. Acesso em: 22 fev 2012.
4. Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, 2006. Disponível em <http://www.luteranos.com.br/101/coral/artigos6.htm>. Acesso em 22 fev. 2012.
5. Wikipédia a enciclopédia Livre, 2011. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Maur%C3%ADcio_Nunes_Garcia>. Acesso em 22 fev. 2012.
6. P.Q.P. Bach, 2006. Disponível em:< http://pqpbach.opensadorselvagem.org/obras-de-capella-pe-jose-mauricio-nunes-garcia/>. Acesso em 22 fev. 2012.
7. Questões de forma nos Te Deum CT 91 e 96 de José Maurício Nunes Garcia,Centro Universitário Adventista de São Paulo,autores Karen de Almeida, Elton Machado Orientado por: Jetro Meira de Oliveira.
